O que vai mudar com as novas regras de imigração na Irlanda?

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O assunto é complicado e sempre gera muitas informações distorcidas causando pânico e problemas. A primeira coisa que você precisa fazer é buscar apenas informações oficiais nos sites dos órgãos competentes. A segunda coisa é sempre ter contato com sua agência/escola e por fim seja flexível porque mudanças sempre acontecem, principalmente se tratando de imigração.

visto-635x362Em 2010 planejando meu intercâmbio estava com tudo quase pronto e já pelo final do ano veio a bomba das mudanças nas regras de imigração da Irlanda. No primeiro momento fiquei realmente preocupado e pensei que o sonho seria destruído. A primeiro coisa que eu fiz foi entrar em contato com as pessoas responsáveis pelo meu curso para saber o que estava acontecendo porque todo mundo estava surtando no orkut (sim, isso mesmo. O finado Orkut era a principal fonte de informações vindas da Irlanda). O fato mais relevante era sobre o valor a ser declarado que iria passar de 1000 para 3000 euros para o curso de ano. O segundo ponto era que o GTA não poderia ser usado para tirar o visto Irlandês (pelo menos o bronze basicão). Depois de entender as mudanças alterei minha programação para dar tempo de chegar antes do prazo final principalmente por causa do valor a ser declarado que no caso era muita grana e não conseguiria num espaço de tempo tão curto. Me planejei, viajei e deu tudo certo.

Como disse nos comentários de algumas perguntas tudo é muito novo e o governo da Irlanda sempre deixa alguns pontos em aberto e foca apenas em algumas mudanças mas significativas. Eu passei por essa mudança nas vésperas do meu embarque e depois por outras de menor impacto durante o meu tempo na Irlanda. O certo é que as coisas estão mudando e tudo isso visando proteger os alunos e criar um sistema mais forte. Na minha opinião o ponto que mais vai afetar os alunos é justamente sobre trabalho. A partir de janeiro os alunos poderão trabalhar full time apenas durante o verão e depois num pequeno período entre dezembro e janeiro. Esse novo cenário vai prejudicar um pouco aqueles que tem o projeto de se dedicar ao trabalho durante as férias do curso entretanto nem tudo está perdido. O certo é que todo mundo vai poder continuar trabalhando e isso já é muito bom. Em vários países os alunos não podem trabalhar de jeito nenhum, imagina? Isso séria realmente muito ruim mas no caso da Irlanda essa autorização segue normalmente.

Mas André, se eu trabalhar apenas meio período conseguirei pagar minhas contas?

Essa pergunta deve estar sendo feito por todo mundo porque eu mesmo me faria nessa situação. A resposta é sim, claro, você conseguirá se manter e ainda poderá viajar com certeza. Diferentemente do Brasil onde temos que trabalhar muito para ter uma vida mais ou menos na Irlanda se você trabalhar meio período tudo correrá bem. Faça uma conta simples: 4 horas por dia x 8,65 (remuneração) x 5 (dias por semana) = 692 euros por mês. Esse valor vai ser suficiente para pagar todas as despesas e até viajar se você conseguir se organizar. Claro, trabalhar o dia todo e ganhar quase o dobro seria muito melhor mas pense positivo porque o governo poderia cortar a possibilidade de trabalhar e ai sim séria terrível. Esses valores são apenas para exemplificar porque existem salários um pouco maiores como é o caso de quem trabalhar em PUB, grandes empresas etc.

Sobre valores para sobrevivência em Dublin tudo depende da rotina de cada pessoa. No início temos uma tendência a cortar gastos e viver com um mínimo possível afinal somos apenas estudantes. Depois com o passar do tempo e os primeiros empregos vamos aumentando a qualidade de vida aos poucos. No início da minha jornada em Dublin eu gastava muito pouco porque era necessário. Quem acompanha esse blog já viu os milagres que fizemos ao passar a semana com 10 euros de alimentação para cada um. Depois com o inglês melhorando e os empregos fixos esse valor mudou drasticamente e assim deve ser com todos. Eu sempre aconselho levar uma vida de pobre porque tudo é muito novo e cada centavo pode fazer a diferença mas pra frente. Não tente ter uma vida de rei logo de cara porque as coisas podem complicar. Os 3000 euros parecem muito e um ditado ouvido em Dublin exemplifica esse cenário: NO INÍCIO TIRAMOS DINHEIRO COM O BALDE E COLOCAMOS COM O CONTA GOTAS (as vezes).

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Eu sei que existe o lado negro da história também e como hoje muitas pessoas trabalham full time durante o curso acredito que muitas pessoas vão pode continuar trabalhando full time mesmo depois das mudanças a não ser que o governo pegue mesmo no pé das empresas e comece uma fiscalização intensa no mercado de trabalho. Esse não é um erro das escolas mas porque são as próprias empresas que oferecem o full time não estão nem ai para cartas etc. Eu acredita que esse cenário vai continuar existindo ainda por muito tempo. Veja bem as pessoas que trabalham como aupair e ganham valores as vezes menos que a metade do mínimo ou até mesmo 100 euros por semana (valores de 2011, 2012 e 2013). Geralmente meninas precisam aceitar esse desafio para poderem se manter na Irlanda até acabar o curso ou aparecer um emprego melhor. Isso não acontece em todos os casos mas elas chegam a trabalhar 10, 12 horas por dia recebendo 100, 120 euros por semana. Esses buracos na lei vão continuar acontecendo não só na Irlanda mas em todos os países.

Sobre as escolas esse processo de mudança começou em 2013 mas veio a tona somente em abril desde ano depois de um jornal local divulgar amplamente vários problemas principalmente relacionados com “escolas fantasmas’. Até agora 7 escolas encerraram suas atividades, fato visto por esse blogueiro como bom para os alunos e até mesmo para o mercado porque quem antes prostituía o setor não esta mais em atividade.

Eu acredito que novas mudanças serão anunciadas no decorrer dos próximos meses porque alguns pontos ficaram sem explicação no comunicado divulgado nessa semana. Como dito antes, tudo isso visa proteger os alunos para a criação de um sistema forte e sério tirando instituições de fachada que acabavam prejudicando todo mundo. Para os alunos resta apenas ter paciência e estudar a melhor forma de se adaptar as novas realidades.

Qualquer dúvida pode perguntar que estou a disposição para ajudar nesse processo.

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Novas regras de imigração a partir de 2015

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O Ministério da Justiça e da Educação informaram na tarde de ontem novas mudanças referentes ao regulamento das escolas de inglês na Irlanda para estudantes de países que não sejam membros da União Europeia.

A principal mudança que interfere diretamente para os estudantes diz respeito a alterações na permissão de trabalho. A partir de 01 de janeiro de 2015, alunos poderão trabalhar 40 horas semanais apenas nos meses de maio, junho, julho e agosto e também no período de 15 de dezembro a 15 de janeiro. Esse período representa a época de férias para os estabelecimentos educacionais na Europa. Segundo comunicado, a alteração será necessária para facilitar a fiscalização.

NED Training Centre e as novas regras

As novas medidas são as condições oficiais para garantia do visto para estudantes vindo de países fora da União Europeia. Desde 2010 no mercado irlandês, a escola sempre buscou acatar todas as regras e medidas exigidas.

Dúvidas

A NED Training Centre está trabalhando para que todas as medidas exigidas sejam tomadas e está à disposição para qualquer inspeção que possa ser solicitada pelo Governo Irlandês.
A NED Training Centre mais uma vez informa que seus agentes estão disponíveis para esclarecimentos e informações e gostaria de salientar a importância de que todos os estudantes acatem somente a informações oficiais, tanto por parte da escola quanto por parte do governo.

Todas as novas medidas estão disponíveis no site oficial do Governo Irlandês e podem ser checadas aqui (em inglês).

Material cedido por NED Training Centre


Minha opinião: Sempre que visualizar alguma informação sobre imigração procure a fonte e leve sempre o site do governo como referência. O governo e órgãos oficiais somente divulgam informações por esse meio e tudo que estiver fora que esta lá certamente esta errado. De tempos em tempos assuntos como valor para declaração e regras para trabalhos voltam a tona e as pessoas começam uma verdadeira cruzada de informações desencontradas na internet. Procure sempre o seu agente para tirar dúvidas e não se desespere por pouca coisa. É verdade que o governo pode mudar a regra sem aviso prévio mas isso certamente será comunidade de forma oficial e não através de boatos.

Tax free na Irlanda: como receber de volta parte dos impostos !

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Quando viajamos para um país diferente sempre temos várias surpresas e várias delas podem ser boas. Você precisa estar sempre antenado em tudo, caso contrário perderá chances de trabalho, viagens e até mesmo de ter seu imposto de volta.

Na Irlanda não faltam programas de pontos, cartões de desconto, benefícios para estudantes e outras dezenas de formas de ir conseguindo vantagens ao longo do tempo. Dessas possibilidades a mais legal é o Tax Free. Esse é um beneficio que todos as pessoas não europeias tem. Sim, você tem vantagem por não ser Europeu.. uhuuu pelo menos nisso. 

 

Esse beneficio esta disponível em todas as compras que você realizar dentro da Irlanda ou países Europeus a menos de 3 meses antes do retorno ao Brasil. Para dar tudo certo é necessário entender como funciona e o que você deve fazer para reaver os preciosos euros que depois vão se tornar reais no seu cartão de credito, o que não é nada mal.

Bem, existem pelo menos 3 empresas que realizam esse serviço e cada uma trabalha de uma forma diferente. Vou destacar a minha experiência com a Tax Free Worldwide e Fexco. Assim que você compra qualquer produto é necessário solicitar o “tax free form” Ele pode ser feito de forma manual ou eletrônica mas deve ser solicitado no momento da compra. Nesse formulário a loja vai descrever o produto comprado, o valor e também o total que você irá receber. No caso da emissão eletrônica todos os valores são descritos no momento da compra e você já sai sabendo quanto vai receber de volta. Nas lojas credenciadas no Tax Free Worldwide esse é o processo e você irá receber o formulário junto com o comprovante da compra. Na Fexco o processo é diferente e você já tem descontado o valor dos impostos no momento da compra. Para ambas as empresas é necessário fazer alguns procedimentos para garantir a efetivação do beneficio.

Tax Free World Wide: Com o formulário da loja você precisa colocar os dados do seu cartão de crédito (do Brasil, internacional). O crédito do imposto será creditado no seu cartão entre 30 e 60 dias. Você deverá preencher todos os dados e depositar o envelope no local indicado dentro do aeroporto de Dublin. Meu processo foi pelo terminal 1 e não tinha atendimento apenas uma caixa tipo de correio. Dizem que no terminal 2 existem funcionários e as vezes é necessário mostrar os produtos comprados. Os comprovantes podem ser enviados pelo correio direto do país final dentro do prazo de 3 meses.

FEXCO: No momento da compra você recebe um cartão e logo em seguida deve fazer um cadastro no próprio site. Não é necessário enviar nenhum comprovante. O imposto já é descontado no momento da compra e você não terá nenhum credito posterior.

Formulário eletrônico

Formulário eletrônico

Detalhes importantes:

– As compras devem ser feitas no período máximo de 3 meses antes da viagem de saída da União Europeia.
– No caso da Tax Free Worldwide é bom enviar junto as cópias dos comprovantes de compra.
– As compras devem ser feitas no cartão de crédito do Brasil ou em dinheiro, não use o cartão da Irlanda. Me programei muito bem para conseguir aplicar todos os meus cupons e mesmo assim tive um contratempo. Uma funcionária da Argos me disse que compras no cartão do banco da Irlanda não são aceitas como Tax Free. Em outras lojas comprei e não tive problemas nesse sentido. Se você for comprar com o cartão do Brasil não se esqueça do IOF porque pode ser que o imposto seja maior do que o crédito que você tem direito a receber. Por precaução realizei todas as compras em dinheiro depois desse questionamento. De tudo que eu comprei somente na Conns Camera que foi pelo Fexco, processo mais simples e rápido. na Compra de uma Gopro 3+ black o total devolvido foi de 81,50 euros. Em todas as outras lojas o processo foi com o Tax Free Worldwide onde tive que preencher e depositar no aeroporto.
– Algumas pessoas aplicam para o formulário quando vão viajar pela Europa apenas não retornando ao Brasil. Dá pra fazer? sim claro ! Agora tem um problema porque as vezes a empresa entra em contato pedindo o certificado da escola e também o seu P60 que são indicativos de que você realmente está deixando a Irlanda. No meu caso eles pediram esses comprovantes mais a cópia da passagem. Eu vi falar uma história de que uma jovem Brasileira aplicou e recebeu o imposto de volta fazendo apenas uma viagem pela Europa. Depois voltou pra Dublin e seguiu sua vida normalmente movimentando a conta no banco, trabalhando etc. Não sei como mas o Tax descobriu e cobrou tudo de volta em seu cartão de crédito no Brasil ou seja, uma facada porque ainda tem o IOF. É verdade? Não sei … mas pode acontecer.
– Todos as aplicações entraram corretamente dentro de 45 dias depois.
– O valores a ser restituídos dependem de uma série de fatores e não é possível calcular antecipadamente.
– É possível fazer esse processo em outros países da União Europeia e deixar para depositar os comprovantes em Dublin no momento de regresso ao Brasil. Claro, dentro dos 3 meses.
– Irlandeses não podem fazer esse processo e quando comentamos eles ficam p… da vida. Eles não podem fazer no próprio país mas podem fazer em outros como Estados Unidos por exemplo.
– Você não recebe o imposto total de volta. A empresa intermediadora desse processo cobra uma taxa.

Se você fizer uma programação bem feita será possível receber uma bolada principalmente com eletrônicos porque o valor é sempre maior. Não deixe de pedir o formulário em pequenas compras também porque como diz aquele velho ditado: de grão em grão a galinha enche o papo. O bom é que esse dinheiro é como se fosse perdido então quando volta é uma maravilha kkk.

Links Úteis:

https://www.shoptaxfree.com
http://www.taxfreeworldwide.com/en/1-0.html
http://www.connscameras.ie
http://www.pcworld.ie
https://www.camera.ie
http://www.argos.ie

O processo de retorno ao Brasil – Parte II

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Pronto, passados os minutos finais em Dublin com o processo de check-in, malas, Dexter, etc…. ficamos no portão de embarque por alguns minutos e ao entrarmos no avião veio um filme a minha cabeça. No meu filme pessoal sobre a Irlanda um toque de felicidades, derrotas, conquistas, medos, incertezas, sorrisos, amigos, amores, bichinho de estimação, trabalho, desemprego, viagens, paraísos, pobreza, riqueza, mar, frio, vento, chuva, neve, blusas de frio, comidas etc,, etc.. A partir dali tudo mudaria e ao decolar da Irlanda tive a sensação de dever cumprido, objetivos superados e no fim estava feliz, apesar daquela lágrima que caiu.

Escrevendo esse post e ouvindo Rádio Nova 100.3 direto de Dublin – http://www.nova.ie

Primeiro dia no Brasil depois do retorno. O pôr do sol direto da janeiro do meu quarto.

Primeiro dia no Brasil depois do retorno. O pôr do sol direto da janeiro do meu quarto.

Antes de continuar tenho que explicar uma coisa. Por mais que convivesse com muitos Brasileiros no trabalho e morasse com uma Brasileira em Dublin é diferente quando você ouvi uma pessoa que você conhece e uma voz desconhecida falando português. Depois de um tempo morando fora é normal olhar pro lado quando se ouvi português.

Pois bem, chegamos em São Paulo e logo ao desembarcar o volume do português aumentou e veio o primeiro choque. Não sei se essa sensação acontece com muitas pessoas mas tive a sensação de estar caindo em um redemoinho e todos os sons entravam pelos meus ouvidos de uma forma diferente. Logo em seguida encontramos o local do próximo vôo para Uberlândia e então procuramos um local pra comer. É terrível, complicado, difícil e incrivelmente assustador as primeiras horas depois do desembarque. Tudo chama a atenção dos olhos e dos ouvidos. Pessoas conversando do seu lado, as roupas, o ambiente, a educação, etc. Essa sensação é tão difícil de descrever já que estivemos aqui, moramos aqui mas tudo parece diferente. Nem mesmo em viagens por outros países diferentes como os de língua árabe senti essa sensação.

O segundo choque é quando se pede um café ou suco e tudo custa mas de 10, 15 reais. Quando se mora fora todo mundo fala que as coisas no Brasil são caras mas você pensa que não. Os preços nos aeroportos são extremamente caros e abusivos e como você acabou de chegar imagina que tudo esta naquela faixa de preço e logo pensa… não vou conseguir viver aqui. Como as pessoas fazem pra sobreviver comprando um café por 10 reais ou um misto simples por 15 reais?

O terceiro choque é a educação das pessoas. Não é que fora do Brasil todo mundo seja educado mas o tratamento é diferente. Pelo menos na Irlanda se você esbarra em algum o SORRY vem automaticamente (Sim, na Irlanda usa-se SORRY pra pedir desculpas). Nos mínimos detalhes você se senti triste e tenta entender o que esta acontecendo. Dentro da educação também esta o hábito de falar mal das pessoal, falar da vida particular nos locais de trabalho etc. Claro, que fazemos isso também em qualquer lugar do mundo mas é diferente, mais discreto e não dá pra falar da sua calcinha enquanto serve um cafezinho ou faz um suco para os clientes. Essa situação aconteceu em pelo menos 3 locais diferentes. Sim, isso é uma reclamação pro Aeroporto de Guarulhos porque além dos preços abusivos a maioria dos funcionários não tem um mínimo de preparo para desempenhar funções de atendimento.

O próximo choque é sobre o aeroporto. Informações desencontradas na fila do check-in por causa do Dexter. O senhor tem que ir ali naquela fila, não na verdade é no auto atendimento e por fim, retorne a fila porque não tem como fazer aqui com o gato. Despachamos as malas e Dexter com uma hora antes do vôo pra ele não ter que ficar muito tempo em algum canto e também termos um risco menor de objetos furtados das malas (sim, isso pode acontecer também .. Google It !). Passamos pelo setor de segurança e fomos pro setor de embarque. Ao entrar pelo menos umas 1500 pessoas nos corredores reclamando e andando de um lado pro outro. Uma greve da empresa que presta serviço pra GOL impedia a colocação das bagagens nas aeronaves. Alguns vôos com mais de 3 horas de atraso e dai pensamos ferrou, coitadinho do Dexter que não comeu quase nada e já passava das 24h dentro da caixa de transporte. Ficamos com o coração na mão e lá fomos nos esperar a bondade dos funcionários mal treinados e sem preparo para dar informações em situações de crise. Passada 1 hora sem nenhuma informação no painel ou direcionamento dos funcionários bateu a fome e lá fomos nós de novo procurar um lanche. Daquele ponto não tem como voltar pra rua então imagina como são os preços? Mais caros ainda? Sim, claro. Logo depois apareceu um aviso por um milagre e nosso vôo foi anunciando para 2 horas depois do horário previsto. Nosso pensamento estava no Dexter mas sabíamos que ele não corria risco de vida porque gatos tem preparo para sobreviver a essas situações e até ficar sem comer ou beber durante longos períodos.

Bem, com uma recepção dessas não deu pra deixar de falar aquela frase clássica de quem acabou de retornar de um intercâmbio. MEUS DEUS, O QUE FOI QUE EU FIZ? COMO VAMOS CONSEGUIR VIVER AQUI? A cabeça vai a mil e tudo fica uma loucura.

Essa afirmação e totalmente aceitável porque dizem que a adaptação no retorno ao Brasil é mais difícil do que a da chegada no país estrangeiro. Essa sensação é aterrorizante, acredite nisso porque se você esta fora ou vai voltar um dia certamente acontecerá com você e olha que ainda estou falando do aeroporto, nem saímos na rua ainda. Junto com essa sensação vem o medo de furtos porque fora aprendemos a ser um tanto relaxados e sabemos que as coisas no Brasil são diferentes. Deixar a bolsa na cadeira, celular em cima de mesa etc são apenas alguns hábitos que devemos mudar desde as primeiras horas do retorno. Claro, isso não acontece em todos os lugares mas os números do aeroporto de Guarulhos não são animadores então tenha essa idéia na cabeça também.

Meu pai e minha mãe estava em Uberlândia nos aguardando e quando chegamos lá foi um alívio. Vimos o funcionário com o Dexter ainda da janela do avião e percebemos que estava tudo bem. Pelo menos ele veio no mesmo vôo porque com o confusão ficamos com o receio de um extravio de bagagens ou do próprio Dexter. Ele estava totalmente tonto, cansado que nem conseguia miar. Entramos no carro e abrimos a caixa mas ele não saiu porque estava sem forças coitado. Só depois de algum tempo é que ele comeu um pouquinho de ração. Abracei meu pai depois de 3 anos e 2 meses, foi estranho e incrivelmente legal. Minha mãe eu já tinha visto a pouco mais de 3 meses porque ela tinha acabado de nos visitar na Irlanda. Ver todo mundo junto de novo foi muito bom, essa sensação é incrível.

Bem, depois de 3 horinhas de carro chegamos na nossa querida Patos de Minas, ponto final dessa jornada, pelo menos para um período de descanso porque nossa aventura vai continuar …

Fatos:

– Não tivemos nenhum problema com malas extraviadas, objetos furtados ou desaparecidos.
– Nenhum objeto quebrado ou danificado durante o transporte e conexões porque afinal passamos por 4 aeroportos diferentes.
– O processo com o Dexter para emissão do documentação brasileira dele foi muito simples e fácil.
– Ninguém nos pediu para abrir as malas para conferir a cota individual de 500 dólares por pessoa. Esse era um ponto crítico porque existem dezenas e dezenas de histórias de pessoas que tiverão que pagar muita grana de imposto na alfândega de Guarulhos e outros aeroporto do Brasil por exceder o limite. Não existe uma regra a respeito desse assunto e tudo depende do dia, do vôo, do agente e de outras centenas de combinações.

No próximo post: As primeiras impressões na nossa cidade. Esse série de matérias continua ……

Dúvidas? Incertezas? Medos? use os comentários, fique a vontade porque estamos aqui para ajudar.

Como são os últimos dias em Dublin – Parte 2

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É difícil descrever o que se passou naquelas últimas 3 semanas. (perdeu a primeira parte? Clique aqui)

Aquela vida tinha acabado, possivelmente nunca mais veríamos as ruas, o povo, o LUAS, a arquitetura, a comida, a cultura, etc. Três anos de muitas experiências, conquistas, vitórias, medos, derrotas, saudades e principalmente aprendizados tinham chegado ao fim. Particularmente pra mim essa sensação de que é última vez que eu vejo aquilo ou faço isso é o que mais me machuca. Nossa viagem de retorno foi no dia 5 de maio e no dia 3 ainda tive um dia de trabalho em Manchester no Old Trafford. Esse exemplo é muito bom porque mesmo de ter trabalhado 29 jogos e ter vivido tanto coisa legal em Manchester aquela data foi difícil. Meu último jogo trabalhado no Aviva Stadium e o último show trabalhado no The O2 foram inesquecíveis. Todos esses lugares foram fantásticos na minha experiência cultural e chegar no último dia despedindo dos meus colegas de trabalho, amigos, diretores foi realmente complicado. Na NED, local do outro trabalho ficavam as pessoas com quem tive mais contato na Irlanda (afinal vivemos mais com os colegas de trabalho do que com a família) também foi difícil. Aquela última olhada para a mesa de trabalho, a última descida pelas escolas, o último by by …….

Criamos uma espécie de roteiro para comermos, bebermos, visitarmos, ver e sentirmos coisas pela última vez. Comemos em todos os restaurantes que fizeram parte do nosso dia a dia. Tomamos uma (ou 2,3) pints nos Pubs, fomos no Cineworld vários dias seguidos para fecharmos tudo com chave de outro. Como disse antes na medida que as coisas foram se resolvendo tudo foi fazendo mais sentido e a sensação de tristeza pelas despedidas se tornaram expectativas positivas pela volta. Fizemos a nossa despedida com a maioria dos nossos amigos e depois mais uma rodada de pão de queijo em casa onde fizemos um saldão (doação) com o restante das coisas de casa.

Chegamos a última noite em Dublin, ansiedade total, tudo conferido e pronto para a viagem. Chegou o transfer, colocamos as coisas no carro e voltamos para fechar a casa.. Nessa hora deu um choque grande porque realmente sabíamos que a hora tinha chegado. Dentro da casa nenhum dos nossos objetos, fechamos a parta, trancamos tudo, demos uma última olhadinha pra trás e fechamos o portão. Só quem vive essas coisas é que sabe como fica a cabeça e o coração. No caminho do aeroporto um filme passou na minha cabeça lembrando o dia que estávamos fazendo o caminho contrário chegando em Dublin. Tudo resolvido no aeroporto com as malas, com o Dexter e ainda tivemos tempo para tomar uma última refeição. Eu não tenho certeza de quantas vezes passei pelo aeroporto de Dublin pois fui para Manchester a trabalho pelo menos umas 28-30 vezes mais as nossas viagens. Em todas essas vezes ficava olhando as pessoas e imaginando como seria o meu Dia D. Assim que abriu o portão do nosso voo a ficha foi caindo e realmente a nossa vida na Irlanda estava chegando ao fim. Na medida que o avião foi taxiando nossos olhos ficaram fixados na janela e quando decolamos deu aquele frio na barriga e um mix de tristeza e alegria.

Good to Go !

Good to Go !

Chegamos em dois na irlanda, voltamos em três.

Chegamos em dois na Irlanda, voltamos em três.

A hora (H)

A hora (H)

Saímos da Irlanda de uma forma tão boa porque ficamos mais felizes do que tristes afinal atingimos e superamos todos os nossos objetivos e propósitos. Tivemos muito êxito em tudo que fizemos, fomos felizes em todas as escolhas então ficamos com aquela sensação de dever cumprido. Não tivemos a sensação de que deveríamos ter feito isso ou aquilo, se tivéssemos feito mais, trabalho mais, viajado mais.. Chegamos na Irlanda com a proposta de pagar todas as despesas da viagem e aprender o inglês do jeito que der porque tínhamos pouco mais de 1000 euros cada, dinheiro suficiente para 2 meses no máximo. No fim saímos com nível de inglês avançado, compramos muitas coisas que sempre sonhamos, conhecemos 16 países, fizemos grandes amizades e ainda nos tornamos pessoas muito melhores do que chegamos.

Como sempre dissemos: Obrigado Intercâmbio, obrigado Dublin, obrigado Irlanda !

Porque decidimos voltar ao Brasil?

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Para responder essa pergunta tenho que abordar vários aspectos.

1) Visto: O primeiro é a questão do visto porque como todos sabem é possível ficar 3 anos na Irlanda como estudantes de Inglês. Ao vencer o primeiro visto você compra um segundo curso e depois o terceiro, simples assim Ao final desse terceiro ano você pode seguir na Ilha Verde se for fazer curso superior ou MBA, mestrado etc, é processo mostrar progressão a imigração. Tudo depende do projeto de cada pessoa porque fazer uma faculdade no exterior é excelente e quem toma esse caminho terá suas recompensas entretanto o valor e a dificuldade com horários não encaixaria naquilo que eu buscava. Eu pesquisei sobre um MBA ou pós que são os passos que eu teria interesse mas além do valor ser alto para quem busca qualidade de ensino os horários seriam incompatíveis com as minhas atividades. Para deixar tudo que eu construí em termos de trabalho para procurar outro e começar tudo de novo seria complicado e difícil. O visto de trabalho também seria uma ótima opção, fato que eu até pesquisei e planejei porque recebi a proposta de uma das empresas que eu trabalhava. Novamente o projeto em sí não seria suficiente dentro do que eu procurava. Eu teria que deixar a escola onde trabalha para me dedicar apenas a empresa de eventos e nesse caso a Stéfane poderia ter o visto de acompanhante mas não poderia trabalhar, pelo menos legalmente. De uma forma geral tínhamos condições de seguir na Irlanda mas a longo prazo o projeto não era legal. Continuaríamos da mesma forma, ganhando o mesmo ou um pouco mais e não estaríamos crescendo na vida como profissionais.

2) Estudar: De fato, o que nos motivou a voltar foi a necessidade de seguir estudando e buscando novas oportunidades na vida. Chegamos onde dava para chegar com o passaporte Brasileiro. Acredito que existiam possibilidade de fazer dar certo para um momento apenas, não para um projeto a longo prazo.

3) Zona de Conforto: De uma certa forma caímos na zona de conforto porque tínhamos trabalho, morávamos numa casinha legal, estávamos comprando as nossas coisas e viajando pela Europa. Tudo estava tranquilo e quando isso acontece é hora de mudar. Gosto de ter desafios e como tinha as limitações de visto por não ter passaporte europeu acabei estacionando. Ainda dentro desse contexto a rotina do dia a dia é muito puxada, as vezes fisicamente e quase sempre mentalmente. Não tinha final de semana, feriado e quase sempre nenhuma noite livre então isso também pesou. O curioso é que eu sei que no Brasil será necessário trabalhar muito mais do que na Irlanda para poder viver (rsrsr)

4) Família e amigos:  Viver num ambiente de intercâmbio tem algumas complicações porque todo mundo tem um ciclo e hoje você tem um grande amigo e amanhã ele esta partindo para o Brasil. As amizades acontecem e tive muitas pessoas ao meu lado do início ao fim mas não é a mesma coisa, todo mundo esta sempre trabalhando e a vida vai passando. Por mais que você seja resolvido e consiga viver longe da família vai chegando um ponto que você sente a necessidade de voltar para fazer parte de alguma coisa, ficar mais próximo etc.

Existem outros pontos a serem considerados mas isso depende de cada um. Ficamos 3 anos e 2 meses na Irlanda sem vir no Brasil nenhuma vez mas também tive contato com pessoas que estão a 4, 5 anos sem contato direto com o Brasil e outros ainda não pensam em vir aqui pra nada. O desejo de morar em Dublin pra sempre existe claro mas também existem outros aspectos a serem considerados e não posso ser irresponsável de pensar que a vida vai acontecendo por acaso. É preciso planejar, pensar e programar. Cada pessoa reage de uma forma ao intercâmbio e cada um tem seu projetos e tempos diferentes. O nosso ciclo realmente chegou ao fim em Dublin e temos que seguir em frente. Essa decisão não foi tomada da noite pro dia pois ficamos praticamente 10 meses conversando, estudando as possibilidade na Irlanda e no Brasil. Não nos deixamos levar pela emoção nem pela razão. Foi um processo de muitas conversas, muito planejamento e principalmente escolhas. Aqui estamos, começando uma vida de novo (nem acredito porque já é a segunda vez que mudamos para um lugar desconhecido) mas temos a certeza de termos feito as escolhas certas, pelo menos nesse momento.

Voltamos com a idéia central de crescer, estudar e investir nas nossas vidas para fazer a pena. Vamos atacar com tudo que temos em busca de oportunidades e novos objetivos que estão sendo traçados… temos ainda muitas páginas na nossa vida a serem escritas e Dublin ficou pra trás porque esse capitulo chegou ao fim.

Curtem, compartilhem e fiquem a vontade para fazerem perguntas. Os próximos textos vão ser sobre malas, mudança,  as nossas primeiras impressões e muito mais sobre o retorno ao Brasil depois de 3 anos na Irlanda.

“Dia 6 de maio desembarcamos as 07:00h da manha em Guarulhos e o nosso voo para Uberlândia seria apenas as 13:30h. Passamos por todo o processo da alfândega e sentamos para em uma lanchonete ali mesmo. Café 7 reais, pão de queijo 6, suco 8, água 4 e um monte de gente falando em português, falando da vida dos outros, umas roupas estranhas.. PRONTO: Pânico geral e depois de meia hora surgiu a conversa … Amor acho que não vou conseguir me adaptar … (continua).

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Nossa última viagem de LUAS (Drimnagh to Jervis)

Saldão pra vender todas as coisas de casa. Quem dá mais ?? quem ?

Saldão pra vender todas as coisas de casa. Quem dá mais ?? quem ?