E a zona de conforto? … minha opinião depois de 2 anos e meio na Irlanda.

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Antes de vir pra Irlanda eu li muita coisa sobre a zona de conforto e claro sempre ficava apreensivo do que poderia acontecer com a escolha de fazer um intercâmbio. Essa “zona segura” nada mais é do que uma bolha que vamos criando ao longo dos anos até nos sentirmos tão seguros, tão seguros que não temos coragem de sair dela. Essa “falsa segurança” vem com um emprego, casa, carro, conquistas na carreira, amigos, família e assim vai. Tudo que esta ao nosso lado contribui para irmos criando camadas na nossa bolha. Esse processo e involuntário e vai acontecendo com cada pessoa até mesmo sem percebermos a gravidade que isso trás. Se sentir seguro é muito bom porque você tem tranquilidade, entretanto essa tranquilidade pode trazer também uma falsa sensação de …. ok, está bem agora e não preciso mudar nada. Tenha uma certeza na sua vida: quando isso acontecer você estará com sérios problemas. O ser humano precisa sempre de desafios e principalmente mudanças então fique ligado e cuidado para não entrar nessa bolha com os olhos fechados porque depois será complicado pra sair. Será difícil mas não impossível ! Nada melhor que um intercâmbio para sair dessa bolha. Para tomar essa decisão você precisa apenas:

– Sair do trabalho atual seja ele um emprego qualquer ou uma posição com status conquistada com muito suor
– Deixar os amigos, familiares e em alguns casos o amor da sua vida (pelo menos por um tempo)
– Deixar seu carro
– Deixar a sua rotina diaria
– Não comer a sua comida preferida
– Abandonar por completo a sua noção de mundo

E ter coragem de:

– Ir para um pais desconhecido
– Não falar direito a língua local
– Sair do Brasil com a cabeça muito aberta e principalmente se preparar para tudo que vai acontecer
– Encarar qualquer emprego
– Aprender a conviver con o pensamento “o que eu estou fazendo aqui?”
– Vencer os desafios de morar sozinho e cuidar sua sua própria vida pessoal, financeira e sentimental
– Não tem ajuda de ninguém (ter que fazer as escolhas sozinho e cada escolha será essencial para o seu sucesso ou fracasso)

Esse são apenas alguns pontos porque tudo depende do seu ritmo de vida, daquilo que você faz e principalmente da vida que você levou até ter a ideia de fazer um arriscar em algo novo. A sua criação e relação com a sua família também vai ser determinante para a decisão. Independente se você mora sozinho, com a sua família, é casado (a), tem 15 ou 100 anos.. esse processo será normal pra todo mundo. Algumas pessoas tem uma facilidade maior enquanto outras tem muita dificuldade. Para tomar a decisão você precisa entender que tudo vai ser por um período apenas seja de 1 mês, 1 ou mais. Você vai voltar para os seus familiares e amigos com certeza. Para o emprego, talvez não porque você voltará com uma experiência melhor e principalmente com a cabeça diferente. Você precisa entender que tudo será por um tempo determinado e com certeza você terá chances melhores na vida quando voltar. Em alguns casos esse processo nem é opção mas sem necessário como foi o nosso caso.

Sair da zona de conforto é muito mais do que sair de casa com um monte de malas e sonhos na mochila. Sair da zona de conforto é dar uma nova roupagem pra vida porque você poderá experimenta uma vida diferente, conceitos novos e principalmente descobri que a sua bolha era muito pequena enquanto que o mundo e muito grande para não ser “vivido”. Eu fico impressionado como as coisas são diferentes do que eu pensava e olha que eu sempre tive a cabeça muito aberta para coisas novas entretanto pensar é uma coisa, viver é outra completamente diferente. Uma das coisas que eu mais gosto de fazer e conhecer novas culturas. Na minha querida Patos de Minas só tinha contato com o meu povo local e as vezes com pessoas de outras cidades em viagens etc. Tinha contato pela internet com muita gente mas viver as pessoas é outra coisa. Eu fico impressionado com a cultura de cada pessoa, até mesmo pessoas do Brasil porque aqui você tem contato com gaúcho, carioca, pernambucano, etc.. e cada pessoa trás uma roupagem diferente do que é viver. Além dos Brasileiros a melhor parte e ter contato com culturas de outros países. Eu já tinha essa noção das pessoas e depois das aulas  de sociologia, antropologia e historia da arte do meu querido Professor Moacir tive ainda mais essa ideia do que e ser uma pessoa dentro de uma torre de babel que e o nosso planeta. Com certeza esse período na faculdade foi um salto decisivo para solidificar o ideia de experimentar outras vidas. Mesmo andando na rua aqui em Dublin você vê como as pessoas vivem de formas diferentes uma das outras, comem diferente, pensam diferente, se vestem diferente e tem ideias completamente diferentes do que as suas. Em janeiro viajamos por 4 países e 9 cidades diferentes e em cada esquina tinha a sensação de estar sendo preenchido por essas diferenças incríveis. Nessas cidades além do contato com o povo e a cultura local, visitamos o passado em ruínas, monumentos e templos. Tudo e tão impactante que você nem tem vontade de ir embora e a “fome” só aumenta a cada lugar. Como uma pessoa apaixonada pelas historias da Roma antiga que sou, quase senti e ouvi os gladiadores no Coliseu e na arena de Verona. Foi como se eu estivesse ali vendo tudo aquilo ao vivo, foi incrível. Na Grécia então foi quase um nirvana e no Marrocos a sensação de que estava em outro planeta. Estava conversando com a Stefane essa semana sobre isso e as vezes nem parece que foi verdade tudo que vivemos aqui. A Mariane Cimi é uma aluna aqui da NED e nesse final de semana postou uma foto do rio Liffey com a legenda: As vezes nem acredito que eu vivo aqui  ! Essa é a sensação que eu também tenho de tudo porque um dia vou embora e ao acordar na minha cama terei a sensação de que tudo não passou de um sonho. O bom nisso tudo vai ser que foi tudo real e poderei reviver cada momento pela fotos e vídeos mais principalmente viajar nos pensamentos e lembranças dessa aventura. O contato com outras pessoas seja do Brasil ou de outras países é muito bom porque você tem uma nova noção de mundo, deixa preconceitos de lado e se vê diante de desafios novos. Analisando tudo que vive aqui em 2 anos e meio posso dizer com toda certeza que vale muito a pena “abandonar” a sua vida para embarcar rumo ao desconhecido. Todas essas experiências e sensações vão te moldando em uma nova pessoa porque o que você pensava antes não existe mais, seus valores crescem e principalmente a sua visão sobre o ser humano muda muito. E difícil escrever sobre esse tema porque cada pessoa tem um conceito sobre a vida mas uma coisa é certa: Ninguém volta pra casa do mesmo jeito, você pode voltar uma pessoa muito melhor e claro muito pior. Da mesma forma que sair da zona de conforto abre um novo horizonte positivo do outro lado negro você pode voltar ainda pior.

As vezes ainda nao acredito que moro aqui... Mariane Cimi

As vezes ainda não acredito que moro aqui… Mariane Cimi via Facebook (Foto Rio Liffey)

Muito bem, os pontos positivos dessa aventura que é sair de sua bolhinha são muito grandes. Quando voltar para o Brasil ou ir para qualquer lugar vou ter a certeza de ter feito a escolha certa e principalmente nunca mais terei mais a sensação de estar “confortável”. Sempre vou querer viajar para me alimentar das experiências e principalmente não terei medo das mudanças. A vida é feita para ser vivida e nunca podemos ficar “plantado” no mesmo lugar.  Talvez esse seja apenas o primeiro intercâmbio e a primeira fuga da minha bolha …. !

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6 comentários sobre “E a zona de conforto? … minha opinião depois de 2 anos e meio na Irlanda.

  1. sair de uma situaçao financeira estavel no brasil pra mendigar emprego de lava prato em Dublin, periferia da Europa. isso é sair da zona de conforto e ir pra zona de perrengue

  2. Muito bom. Lí todo o texto e me retornou vários momentos felizes que tive em Dublin, quando eu fui visitar um amigo.
    Pretendo voltar a ilha em breve, esse lugar é sensacional!

  3. Muito bom seu post , estou pensando em sair dessa tal zona de conforto e experimentar novos horizontes.

  4. Quando estou dentro da minha zona de conforto fico longe de mim mesma. Eu preciso de desafios e novidades. Valeu André por por me dar mais certeza das minhas escolhas. Lendo os relatos de todos não me sinto sozinha com meus sentimentos. Um brinde para quem vive fora da zona de conforto…e adora isso!!

  5. Olá André, gostei muito do seu ponto de vista, parabéns e sucesso pra vc e a stéfane.Beijos!!!

  6. São textos e relatos como esses que impulsionam, ainda mais, e a cada dia, minha decisão de fazer intercâmbio no ano que vem.
    Obrigado

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