Em novembro do ano passado quando ainda estava naquela dura rotina de acessar diariamente uma centena de blogs e entrar em milhares de comunidades em busca de informações sobre a Irlanda tudo era novidade e ficava cada vez mais atraído por essa terra e eis que uma bomba explodiu nos meus de comunicação.
IRLANDA ENTROU EM CRISE, PESSOAS ESTÃO PASSANDO FOME NAS RUAS, BRASILEIROS ESTÃO VOLTANDO AOS MILHARES E O FIM ESTA PRÓXIMO PARA A TERRA DOS GNOMOS.

Caramba me ferrei “bunito” agora, demorei quase 7 meses pra decidir que iria mesmo pra Irlanda e eis que essa noticia logo agora………… Não dei muita boa e segui o planejamento. Claro que deu medo porque dependia do trabalho aqui para me manter então foi um tiro no escuro como dizem. Arrisquei e hoje praticamente 6 meses depois tenho uma visão concreta da CRISE.
As ruas de Dublin estão sempre cheias, a quantidade de turistas assusta, as lojas estão sempre lotadas, o temple bar todo dia cheio também. Na noite o numero de taxi na rua é impressionante, ônibus saindo para o pais inteiro há todo momento. Não vi ninguém passando fome na rua, não vejo filas de pedintes e todo mundo segue nas ruas normalmente. A crise existe sim, claro vemos noticias aqui de bancos que tiveram prejuízo, vão demitir algumas dezenas de pessoas mais afinal o que isso tudo afeta a nos intercambistas?
Eu vejo que toda esse cenário afeta muito as camadas mais altas de empresas, cargos administrativos e outros setores que movimentam a economia irish. Por outro lado estamos nos estudantes estamos em busca de empregos digamos na parte de baixa da pirâmide e esse setor continua movimentado apesar de ter dado uma esfriada segundas pessoas que estão aqui há mais tempo. “Dizem” que antes da crise era muito fácil arrumar emprego de cleaner, floor staff e outras coisas que os europeus não gostam de fazer, hoje “dizem” estar mais difícil mais na real o que é difícil?
Imagine você mudando para outra cidade, não conhece ninguém, não sabe nem onde fica a padaria, não tem a mínima ideia de como se pega ônibus e muito menos tem uma indicação segura para um trabalho. Adicione a tudo isso a dificuldade com a língua e teremos o cenário perfeito para os brasileiros que chegam em Dublin. Foi exatamente esse o cenário que me encontrei em 8 de março quando cheguei aqui, e olha que estávamos ainda no olho do furação e as coisas bombando por aqui.
Ainda não vi ninguém voltando pro Brasil porque não arrumou um trabalho, todo mundo acaba se ajeitando com pelo menos um trabalho de alguns dias por semana. Trabalho este que com poucas horas você já consegue pagar seus aluguel e se manter por aqui. Há algumas semanas fiquei sabendo de uma faculdade que estava contratando, cheguei lá e pelo menos uns 30 brasileiros na fila. Conversando com a galera a maioria já tem um trabalho part time e estão procurando outra coisa pra fazer nos dias livres e querem trocar por um full time ou seja, já tem trabalho e ainda estão procurando outro. O que complica é a tal da perseverança e dedicação porque não é fácil sair entregando Cv por ai e não ter pelo menos um fio de esperança por parte das pessoas. É complicado enviar centenas de e-mails para as empresas e não receber nem um retorno. E ai, quem disse que seria fácil? Como diz a galera do rodeio aqui o sistema é bruto. Cabe a cada um decidir qual a necessidade de trabalho e o grau de esforço pra você consegui-lo porque se você correr atrás, se pegar firme mesmo e sempre acreditar que vai dar certo, claro que vai dar porque não? Eu e a Stéfane somos exemplo disso, chegamos aqui com 1500 euros em março e estamos nos virando muito bem, é difícil? Claro e como, mais é isso que queremos.
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